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A história dos Calheiros está ligada à história da fundação de Portugal em 1143, e desde os tempos imemoriais ao Solar que traz o seu nome, o Paço de Calheiros.[1]

Francisco de Calheiros e Menezes é o actual representante da familia Calheiros, chefe do nome de armas de Calheiros, Senhor do Solar de Calheiros e representante do Título de Conde de Calheiros.

A Honra dos Calheiros foi confirmada por D. Diniz e mais tarde por D. Afonso IV em 1336,[2] altura em que já a família prestava grandes serviços ao Reino.

Já no séc. XII existem referências a Rodrigo Fernandes de Calheiros, companheiro de armas de Gonçalo Eanes da Nóvoa, Mestre da Ordem de Calatrava. Nesta época vive também Fernão Rodrigues de Calheiros, ilustre trovador, e percussor da poesia portuguesa:

“Por quantos eu vejo d’Amor queixar, se ar visse quem se loasse en, bem mi o podia desdizer alguém do que del digo; mais nom há i tal a que[m] eu veja d’Amor dizer al senom quant’eu digo que padeci, sem bem d’Amor, que nunca eu prendi.”

Love song from Fernão Rodrigues de Calheiros  13′ s  

Corriam por estes anos as guerras com a Coroa de Castela e a Martim Martins Calheiros é confiada a Alcaidaria do Castelo da Guarda, praça militar importantíssima no xadrez militar. Em 1357 é lhe confiada também a Alcaidaria do Castelo de Sabugal e de Penamacor, nomeações que mais tarde foram transmitidas para o seu filho Vasco Pires de Calheiros.[4][5]

Em 1385 El-Rei Dom João I vem ao Minho, onde o Condestável D. Nuno Alvares Pereira lidera a tomada a praça de Ponte de Lima. Lopo Gomes de Lira, Alcaide de Ponte do Lima, havia tomado o partido de Espanha. Garcia Lopes de Calheiros, tem um papel decisivo na conquista da praça de Ponte de Lima e do Castelo do Neiva e é considerado um dos grandes heróis da crise dinástica, tendo sido agraciado com muitas honras benesses por el Rei D. João I.[6][7]

Por Carta passada em 21 de Maio de 1385 por El-Rei D. João I, é doada a Garcia Lopes de Calheiros os quintos, direitos reais e devesas da vila de Ponte do Lima, o padroado do Mosteiro de Vitorino das Donas e da Igreja de Calheiros, a freguesia de Santo Estevão da Facha, as terras de Burral do Lima e de São Martinho e ainda todos os bens e móveis e de raiz de Lopo Gomes de Lira. Diz a dita Carta, El Rey D. João…A quantos esta carta virem Fazemos saber que Nós querendo fazer graça e mercê a Garcia Lopes, escudeiro, morador em Ponte de LIma, portador d’esta carta, por muito serviço que d’elle Recebemos e intendemos de receber mais ao deante, temos por bem e Mandamos que elle tenha e haja de Nós, d’este dia para todo o sempre a nossa terra de Santo Estevão com todos os direitos, fintas e novas rendas e foros (…) [8]

Por esta altura a família administrava vastos domínios incluindo o Solar de Calheiros, as Terras de Santo Estevão, Beiral do Lima e Reguengo de Castelo (1424), o senhorio das Terras de Burral e o Almoxarifado de Ponte de Lima (1453), o senhorio das Devezas de Ponte do Lima (1454).[8]

A família lutou muitas guerras pelo Rei e pelo Reino, tendo o próprio Diogo Lopes de Calheiros estado na tomada de Tânger. O seu pai, Garcia Lopes de Calheiros, o Cavaleiro, foi armado cavaleiro em pleno campo de batalha em Arzilla pelo valor em combate.[9]

Também nas Índias há múltiplos relatos dos feitos dos descendentes directos da Casa de Calheiros. Num excerto da História da Índia – Década XIII de António Bocarro (aclamado autor que prosseguiu com a obra das Décadas da Ásia de João de Barros) podemos ler as operações navais levadas a cabo por Francisco Lopes de Calheiros no séc XVI:

“(…) Francisco Lopes Calheiros, que alli estava com um seu navio armado de soldados, e lhe mostrou quão grande serviço faria a sua Magestade em sahir a cobrar a embarcação do portuguez, e ver também se podia tomar a dos inimigos.

(…) com que partiu sem mais dilação, e da sua partida a dois dias tornou com a embarcação do casado de Malaca e o pataxo dos holandezes, porque investindo-o com grande esforço o entrou e rendeu á espada, sem os inimigos fazerem mais que renderem-se, vendo-se abordados e entrados pelos portuguezes, e que como leões famintos arremetiam a elles. E assi, metendo-os Francisco Lopes no seu navio, entrou em Malaca ás dez horas da noite, d’onde mandou logo recado a António Barreto, que se alegrou tudo o que podia ser, e muito mais quando pela manhã viu dezenove holandezes captivos, mui grandes e bem dispostos para os poder trazer ao visorei, por serem dos primeiros que se tomaram n’este Estado. “[10]

Também no Brasil os Calheiros tiveram uma forte participação nos destinos do país. No século XVIII, o ramo da família apoiante da independência do Brasil adotou o nome de Oiticica. Foi comum nesta altura, que as grandes casas adotassem nomes locais Índios mostrando o seu apoio a D.Pedro. No campo arquitectónico e artístico destaca-se António Pereira de Calheiros, Mestre Arquitecto, a quem é atribuída entre outras a autoria da Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Mariana, e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Ouro Preto, obras consideradas expoentes máximas do Barroco mineiro. No campo político teve grande influência António Lopes de Calheiros e Menezes, Juiz Desembargador e Presidente do Senado do Rio de Janeiro, tomando um papel importante na ratificação da Carta Constitucional pelo Príncipe Regente D.Pedro em 1821.[11]

O assento da família é na freguesia de Calheiros na província do Minho, no Norte de Portugal. O Paço de Calheiros, notável e imponente edifício, é tradicionalmente considerado como o mais representativo das nobres casas de Ponte de Lima. Situado na encosta de uma das colinas que circundam a Vila, o Paço de Calheiros domina, a perder de vista, um dos mais grandiosos cenários do Minho.

Ao fundo de uma carreira de seculares cupulíferas de dimensões gigantescas abre-se um portal, com lápide cuja legenda em gótico de 1450, diz:

“D’ sta: antiga e nobre Casa Procedem os Calheiros Fidalgos d’ Solar”

O Solar foi mandado construir no século XVII por Francisco Jácome Lopes de Calheiros, Senhor do Couto de Calheiros, que demoliu a velha torre dos Calheiros e usou a sua pedra no Solar. Ainda hoje existem vestígios da antiga Torre, no campo dos Paços Velhos, onde foi encontrado o forno medieval, peça de grande valor arqueológico.[12]

A família nunca deixou a casa, sendo apontada como uma das que conservam ainda esta nobre particularidade.

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